Marcado: Boca do Disco

TEIXEIRINHICES (1)

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PORTO ALEGRE | Como pesquisador da vida e da obra de Teixeirinha, reuni algum material mais ou menos importante ao longo do tempo, mas nunca me considerei um colecionador. Só nos últimos tempos, já um pouco afastado da pesquisa intensiva sobre o cantor, é que comecei a catar relíquias e raridades do Rei do Disco. Um velho sonho desse garimpo é montar uma boa discografia do cantor. Recentemente, comprei alguns itens para iniciar a coleção.

Na Boca do Disco, um dos grandes sebos de vinil da capital gaúcha, adquiri quatro LPs há duas semanas. O Getúlio, que é dono da Boca, fez um preço especial pelos discos: cem reais pelos quatro. Pode parecer salgado, mas foi um preço justo se levados em conta o estado dos LPs e os títulos comprados.

No dia do garimpo, estive com oito discos nas mãos. O primeiro que pulou para o carrinho de compras foi Músicas do filme Ela tornou-se freira (CLP – 11.680), de 1972. Em perfeito estado, este LP foi lançado na esteira do sucesso do primeiro longa-metragem produzido por Teixeirinha. Como quase todos os discos de trilhas sonoras de seus filmes, este não traz muitas músicas inéditas. Na verdade, só Improviso N.1 já não havia sido lançada em outros álbuns. O exemplar que comprei está em ótimo estado, o que é importante principalmente pelo valor histórico dessa capa – que traz, no verso, o único uso público da primeira versão do cartaz do filme (que não foi utilizado na divulgação do longa, porque o desenho feito para representar Teixeirinha ficou absolutamente bisonho). Pelo que pude perceber nos selos deste LP, originalíssimo, ele pertenceu ao acervo da rádio Guaíba. Era um disco de divulgação, vindo direto de São Paulo para a discoteca da emissora. Deve ser das primeiras tiragens.

Outro achado do dia foi o Minha homenagem (COELP 40302), de 1973. Esse disco foi lançado exatamente depois da trilha de Ela tornou-se freira. É um dos poucos LPs onde Teixeirinha canta composições de outros autores, como indica o título da obra. No disco constam doze faixas de compositores conhecidos, como Lupicínio Rodrigues, Mário Zan e Waldik Soriano. O exemplar que comprei também está em perfeito estado, a não ser pelas assinaturas de um tal Ayrton/82, provável ex-dono do disco. Diferente do outro, este LP pertenceu a um fã e foi comprado na loja A Musical, que ficava na Galeria do Rosário.

Terceira aquisição: Lindo Rancho (COELP-40667), outro Copacabana, desta vez de 1975. Se nunca teve seu plástico modificado, o disco foi adquirido em uma das lojas do Supermercado Zaffari, o que é menos importante que seu estado (excelente) e importância. Esse disco faz parte de uma etapa complicada da vida musical de Teixeirinha. Em 1972 ele deixou a Copacabana por conta dos constantes desentendimentos com os executivos da gravadora, em São Paulo. Teixeirinha, que saiu da Chantecler para a Copa no início dos anos 70 (atraído por um contrato bem sedutor), reclamava da qualidade dos discos e da má distribuição dos mesmos desde seus primeiros álbuns na nova casa – o que o fez escrever para o então diretor da Chantecler, Braz Baccarin, pedindo auxílio para rescindir seu contrato e voltar à primeira casa. Em 73, ele conseguiu sair da Copa e migrou para a Continental, onde lançou três discos em um ano e meio.

Porém, misteriosamente, em 1975 ele retornou à Copacabana, por onde saíram outros três LPs – entre eles, Lindo Rancho. Espero um dia compreender o que aconteceu nessa época, que é a mesma de sua primeira e única viagem aos Estados Unidos.

Quarta e última relíquia encontrada na Boca do Disco: Guerra dos desafios (LP 2-74-405-157), de outubro de 1983, o antepenúltimo disco de Teixeirinha. Este LP foi lançado em parceira com a mineira Nalva Aguiar e é composto exclusivamente por desafios. Foi o primeiro disco do cantor depois da separação oficial de Mary Terezinha (que já não havia participado dos dois álbuns anteriores a esse). Consta que este LP foi um fracasso de vendas, porque as pessoas não aceitaram muito bem a proposta de uma nova parceira para Teixeirinha. Na verdade, os tempos já haviam mudado para o cantor. Doente, sem o mesmo pique e com a ausência de sua parceira musical, seus últimos discos perderam qualidade e se tornaram repetitivos. O exemplar que adquiri não está perfeito, até porque o capricho das edições mais novas não é o mesmo das mais velhas, mas o disco está em ótimo estado. É um item mais ou menos raro, porque não houve relançamento em vinil.

Vou seguir comprando discos e falando um pouco deles por aqui. O Memórias é lido por alguns fãs de Teixeirinha que, como sempre, gostam de conhecer um pouco mais da obra do cantor. Aguardemos as próximas aquisições.